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| (AP Photo/Felipe Dana, File) |
As suspeitas de que o vírus Zika possa estar relacionado com a microcefalia e outros problemas neurológicos em recém-nascidos tem gerado grande comoção internacional. Líderes estatais apressaram-se em pronunciar-se sobre o assunto e declarar políticas públicas de emergência, que em sua maioria possuem um público alvo: as mulheres.
É certo que as mulheres gestantes devem ser devidamente informadas das
medidas preventivas para minimizar as chances de adquirirem a doença. No
entanto, o que tem chamado a atenção em nosso continente, são as recomendações
visando as mulheres em idade reprodutiva.
O temido vírus reabriu o ainda mais temido debate sobre direitos sexuais
e reprodutivos. Os tabus latino-americanos sobre aborto e métodos
contraceptivos, sempre permeados de discussões filosóficas e religiosas,
voltaram a ser o centro das atenções diante de recomendações como “não
engravidem” ou “abstenham-se de ter relações sexuais”. Recomendações estas
direcionadas unicamente às mulheres, claro, porque os homens não tem nenhuma
participação na gravidez de uma mulher...
Em um continente onde o machismo conservador e o extremismo religioso
ditam as regras sociais, o Zika provou ser mais do que uma questão de saúde
pública e tornou-se uma questão de gênero.
A função do Estado, como principal garantidor de direitos, não é de
decidir pelas mulheres se elas devem ou não engravidar e muito menos tratar a
contracepção como se fosse uma questão exclusiva sobre mulheres e
matematicamente planejada em TODAS as situações. Nossos líderes deveriam estar
oferecendo alternativas, apoio, e sobretudo acesso a direitos, como o direito de gozar do mais elevado padrão de saúde sexual e reprodutiva.
Os direitos reprodutivos também são direitos humanos e incluem o direito
ao planejamento familiar. Todo casal e todo indivíduo tem direito de
decidir livre e responsavelmente sobre o número, o espaçamento e a oportunidade
de ter filhos e de ter a informação e os meios de assim o fazer.
É fácil para um Estado declarar uma emergência, isentar-se da
responsabilidade, e colocar o fardo nas costas das mulheres. Em períodos de
catástrofes, e eu acho q podemos classificar a disseminação do Zika assim, a solidariedade
é muito importante, toda a comunidade tem um papel a cumprir, mas a
reponsabilidade de implementar medidas de prevenção, contenção e assistência a população
afetada pertence exclusivamente ao Estado e seus agentes, e isso nenhum
mosquito pode mudar.

Vou passar a seguir o blog. Parabéns! :)
ReplyDeleteObrigada Sandra! :)
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